JOGOS DE AZAR

O Islam é uma religião natural, os seus ensinamentos e instruções ligados aos vários aspectos da vida, vão ao encontro direto da mentalidade humana pura e ao seu instinto, guiando a todos por igual para o caminho da retidão, ou seja de Deus - O Criador.

Os jogos de azar, são unanimemente proibidos (Harám - ilícitos) no Islam, como também o são as bebidas alcoólicas.

Geralmente o que atrai às pessoas para a prática deste tipo de atividade são os ganhos fáceis, pensando enriquecer "num só dia", porém, não olham para os aspectos negativos e prejudiciais do ponto de vista econômico, social, moral, espiritual e coletivo.

Nos jogos de azar, o beneficio de um depende completamente do prejuízo do outro, o que ganhou, ficou beneficiado e o que perdeu, ficou prejudicado.  No aspecto econômico, este tipo de atividade não produz a riqueza, ou seja, apenas mentem-na no estado de congelamento.  Através desta atividade, a fortuna de alguém passa para outra, por apenas um simples jogo.

De uma forma geral, os jogos de azar causam grandes destruições numa sociedade, desmoralizando ao Homem e conseqüentemente este, ao invés de tomar-se numa fonte de bondade e simpatia para com o próximo, transforma-se num "sanguessuga", opta pelas qualidades duma besta e pensa que o seu bem-estar depende da desgraça, aflição e tristeza do outro.  Planeia igualmente como arruinar monetariamente o seu semelhante aplicando tudo nessa atividade, o que melhor proveito teria se empregasse num negócio lícito onde a riqueza cresce e o beneficio é mútuo.

Nota-se que os viciados já não estão interessados em qualquer atividade lícita, pois, querem apenas ganhos fáceis, i.é, dentro de instantes, sem qualquer esforço, e como conseqüência, os jogos de azar fomentam a preguiça, a corrupção, a marginalidade e os ganhos imaginados.

Dentre os males sociais causados pelos jogos de azar constam também a inimizade e o ódio entre as pessoas, porque naturalmente o vencido, apesar de aparentemente aceitar a derrota, no íntimo alberga o ódio e rancor contra o vencedor, o que poderá levá-lo a cometer crimes vingativos, o que é maléfico e perigoso para a sociedade.

Por isso Deus diz: "Satanás só ambiciona infundir-vos a inimizade e o rancor, mediante as bebidas inebriantes e os jogos de azar, bem como afastar-vos das recordações de Deus e da oração. Não desistíreis, diante disto?" {5ª: 91}

Geralmente os que têm um bom espírito não se aproximam a este tipo de coisas, para não caírem na armadilha do satanás.

Deus, louvado seja, diz: "Não consumais os vossos bens em vaidades, nem os useis para subornar os juízes, a fim de vos apropriardes ilegalmente, com conhecimento, de algo dos bens alheios." {2ª: 188}

Dentre os males dos jogos de azar também está o de muitos lares arruinarem-se repentinamente.  Um rico empobrece dentro de instantes e, bem visto, isso não afetará somente a ele, como também à sua família que cairá na desgraça e aprofundando ainda mais, chega-se à conclusão de que a sociedade toda fica prejudicada.  Por exemplo, um empresário que tem contratos de negócio, ao perder nesses jogos poderá entrar na falência e por conseguinte, terá dificuldades imensas para continuar com a sua atividade normal e com os seus credores, etc.

Os jogos de azar também causam tensão e podem ser também a causa de loucura e de suicídio, pois, o derrotado sentindo-se frustrado, quererá adquirir dinheiro de qualquer forma, não se importando que seja através de roubo, suborno, assalto, etc.

Os viciados geralmente tomam-se improdutivos na sociedade.  Além de tudo isso, é tempo precioso que se perde.  As noites, tempo esse que teria melhor proveito se fosse aplicado nas suas obrigações sociais, familiares e para o próprio país, etc.

O al-Qur'an diz:
"Interrogam-te a respeito da bebida inebriante( 1 ) e do jogo de azar; ( 2 )dize-lhes: Em ambos há benefícios e malefícios para o homem; porém, os seus malefícios são maiores do que os seus benefícios. Perguntam-te o que devem gastar (em caridade). Dize-lhes: Gastai o que sobrar das vossas necessidades. Assim Deus vos elucida os Seus versículos, a fim de que mediteis," {2ª: 219}

Sabemos que em geral todas as coisas têm algum beneficio: o veneno, a besta, a cobra, etc. têm algum proveito, mas no aspecto geral são maus e condenados e por isso todos se afastam deles.  Há muitas atividades em que olhando para os prejuízos, foram declaradas proibidas não só pela religião mas também pelos governos e sociedades laicas, nomeadamente o roubo, o adultério, o rapto, a burla, etc.  Em geral, todos esses comes têm algum beneficio para o criminoso, pois se não tivesse, não atrairiam a ninguém e muito menos a um inteligente, porém, nota-se que esses atos são muitas das vezes praticados por aqueles que se intitulam de inteligentes e aristocratas.

Portanto, os jogos de azar podem também ter algum benefício que talvez estejam a atrair os governos como por exemplo: os impostos, o emprego para uma gama de gente, etc. mas porque o malefício e o prejuízo são maiores devem ser proibidos e interditos.

O ser humano é a figura principal neste planeta e por isso deve-se tomar sempre em consideração o seu beneficio e o malefício e não os interesses vis de meia dúzia de agentes econômicas que desejam enriquecer à custa da miséria de outras pessoas.  Por isso, achamos que os governos devem a todo o custo salvaguardar os interesses da sociedade e não devem estar desligados ou alheios à mesma, pois, um governo é constituído por elementos da sociedade e o seu objetivo deve ser para trabalhar em defesa e bem estar de todos.  O objetivo principal de um governo na introdução de leis deve ser o de proteger a honra e a riqueza dos seus cidadãos, por serem d'entre as coisas sagradas.

 

  • (1) Khamr: bebida; literalmente compreendida como significando o sumo fermentado da uva. É aplicada, por analogia, a todas as bebidas fermentadas, e, numa analogia mais intensa, a qualquer bebida ou droga tóxica. Poderá, possivelmente, haver algum benefício nela, mas o dano é maior do que o benefício, especialmente se considerarmos do ponto de vista social, bem como do individual. voltar

 

  • (2)Maissar: jogo; literalmente, um meio de se conseguir algo, mui facilmente, usufruindo lucros, sem trabalhar para tal; daí, jogo. Esse é o princípio pelo qual o jogo é proibido. A forma mais familiar de jogo, entre os árabes, era a de tirar a sorte por meio de setas, constituindo o princípio da loteria; as setas eram marcadas e serviam ao mesmo propósito dos bilhetes de loteria de hoje. Setas marcadas eram retiradas de um saco. Algumas não possuíam marcas, e aqueles que as retiravam nada ganhavam. Algumas marcas indicavam prêmios, que podiam ser grandes ou pequenos. Tirar alguém polpudo quinhão, ou pequeno, ou nenhum, isso dependeria de pura sorte, a menos que houvesse fraude da parte de algumas pessoas envolvidas. O princípio no qual a objeção está baseada é: mesmo que não haja fraude, ganhamos aquilo que não merecemos pelo esforço, ou perdemos por mero azar. O dado e as apostas estão apropriadamente enquadrados na definição do jogo. Contudo, o expediente do Seguro não é considerado jogo, uma vez conduzido nos princípios negócios. Aqui as bases dos cálculos constituem estatística em larga escala, da qual o mero azar é eliminado. Os próprios seguradores pagam bônus na proporção dos riscos, calculados exata e estatisticamente. voltar