Louvado e enaltecido seja somente Allah o Criador dos universos, e que a paz e as bênçãos de Allah estejam com o profeta Muhammad, sua família e com todos aqueles que seguiram sua orientação até o dia do Juízo Final. Que o nome e a lembrança do nosso amado profeta, esteja sempre em nossas mentes e mais que isso, em nossas palavras e em nossas atitudes.

   Algumas observações sobre as comemorações do aniversário de nascimento do profeta Muhammad e seu desenvolvimento histórico.

   A algumas semanas, vimos em várias mesquitas no mundo islâmico comemorações do nascimento do profeta Muhammad (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele). Mas onde isso começou e como? Seria parte da sunnah tal comemoração? Se essa comemoração existe, como a conduziríamos nas mesquitas ou fora delas? Vamos aqui tratar dessas indagações dentre outras; mas antes, lembro alguns versículos:

   No capítulo da Família de Imraan: 31, Allah o Altíssimo diz: “Diga (ó Muhammad, para a humanidade)! Se vocês realmente amam a Allah então me sigam (aceitando o monoteísmo e seguindo a sunnah) e só então Allah vai amar-vos e perdoará seus pecados”.

   E diz: “Siga aquilo que te foi revelado do teu Senhor (o Alcorão e a sunnah) e não sigam outros protetores (líderes, ajudadores) além de Allah. Pouco contemplam”! Al-Araaf: 3

   “Em verdade, esse é o meu caminho reto! Sigam-no então e não sigam outros caminhos que te desviarão do caminho de Allah” Al-An’am 153

   Nosso amado profeta Muhammad (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) disse: “A mais confiável das retóricas é o Livro de Allah e a melhor orientação, é a orientação do profeta Muhammad. E a pior das coisas (na religião de Allah) são as inovações”. E em outro dito também relatado por Bukhari e Muslim, o profeta Muhammad diz: “Qualquer um que inventa/adiciona em algo que me foi revelado, tê-lo-á rejeitado (por Allah no Dia do Juízo)”.

   Dentre as muitas coisas que foram sendo adicionadas à religião do Islam de tempos em tempos, temos as comemorações do nascimento do profeta Muhammad no mês de Rabi’ Al Auwal em muitas mesquitas e comunidades islâmicas em muitas partes do mundo islâmico.

   Nessas comemorações, vemos que os muçulmanos se reúnem nas mesquitas para ler e lembrar o nascimento do profeta, sua vida, seus valores; algumas vezes temos grupos de música entoando odes (anachids) enaltecendo o nome do profeta e sua lembrança. Em muitos casos, comes e bebes são oferecidos aos presentes dentre outras práticas realizadas pelos irmãos numa tentativa de mostrar seu amor pelo profeta do Islam e sua gloriosa história.

   Em algumas mesquitas a comemoração passa dos limites, com mistura de homens e mulheres num mesmo recinto e até mesmo chegam a pedir a intercessão do profeta Muhammad (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) para problemas atuais, ou pedindo a vitória sobre os inimigos e etc..

    Sem dúvida que muitos dos irmãos que organizam essas celebrações ou participam dela, o fazem com boa intenção, como já citado acima, mas independente das intenções, citamos nos versículos acima que devemos seguir e fazer de acordo com o que foi revelado por Allah no Alcorão da maneira que nos foi orientado pelo nosso profeta Muhammad. E tais atos, se não estiverem de acordo com o Alcorão Sagrado e com a sunnah do profeta Muhammad não serão aceitos por Allah no dia do Juízo Final e ainda, os organizadores de tais eventos e quem os presencia ou os aprecia estarão entre aqueles que trouxeram inovações para a religião, por melhor que sejam suas intenções.

   Segundo o maior historiador muçulmano, Ibn Kathir, em seu livro “Al bidayah wan-nihayah”, a comemoração do nascimento do profeta Muhammad foi introduzida pelos shiitas fatimíadas no século VI da Hégira pelo rei Al Muzaffar Abu Sa’id Kawkaburi, o rei de Irbil atual Iraque já no fim do sexto século e começo do sétimo século da Hégira. Depois dessa primeira comemoração, outros seguiram seu péssimo exemplo. Ibn Kathir relata: “Ele costumava observar as celebrações do nascimento do profeta sempre no mês de Rabi’ Al Auwal, e uma grande festa era feita... alguns que participavam dos festejos relatam que Al Muzaffar oferecia mais de cinco mil carneiros assados, dez mil frangos e um sem número de iguarias! Ele também permitia que pessoas dançassem da oração do dohr até o fajer do dia seguinte, e ele mesmo dançava com eles!”

   Ibn Khalkan, outro historiador relata em seu livro Wafiyat Al Ayaan, que logo nos primeiros dias de Safar, eram decoradas as cúpulas das mesquitas com muitos adornos. Cantores e grupos de teatro se apresentavam em cada uma das mesquitas.

   Hoje vemos que em alguns países árabes, o dia do nascimento do profeta é um feriado nacional.

   Essa é a origem das celebrações do nascimento do profeta Muhammad, que, como visto, nada tem a ver com a sunnah nem com os atos dos companheiros do profeta Muhammad e só foi introduzido nas sociedades muçulmanas 600 anos depois da hégira.

   Tais comemorações devem ser evitadas e aqueles que as promovem devem ser aconselhados e esclarecidos a não mais fazê-lo e aqueles que participam delas também. E isso, por vários motivos. São eles:

1-     Não faz parte da sunnah do nosso profeta Muhammad (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) nem dos califas que o precederam. Disse o profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) disse: “Sigam a minha sunnah e a sunnah dos califas orientados depois de mim. Atenham-se firmemente a ela E cuidado com as invenções (na religião) pois todas as invenções levam ao desvio”. (Ahmad e Tirmizi) E Allah disse no capítulo Al Ma’idah (A mesa servida): “Hoje Eu vos completei vossa religião”.

2-     Celebrar o aniversário do profeta Muhammad (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) seria como se assemelhar aos cristãos em suas práticas religiosas, já que eles celebram o nascimento de Jesus (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) e isso estaria contrário o que nos ensina o profeta Muhammad, que diz: “Aquele que imita um povo, se torna um deles”. E diz: “Diferenciem-se dos politeístas”; especialmente no que se refere às práticas religiosas de cada povo.

3-     Se amamos o profeta Muhammad seguimos o que ele nos deixou como orientação, e só assim alcançaremos o amor de Allah e o perdão dos nossos pecados, como já citamos no início, e não inventamos novas práticas para fazê-lo.

4-     Já sabemos que o profeta nunca comemorou seu aniversário, já que só Allah pode ser louvado e enaltecido e nem vemos que os companheiros do profeta o fizeram, e eles eram os que mais amaram o profeta e mais seguiam seus passos e suas orientações, e ainda assim, não festejaram seu nascimento nem se reuniam para recordar sua história nem seus exemplos. O profeta nos alertou quanto a isso, dizendo: “Não exagerem na minha personalidade como exageraram os cristãos na personalidade do profeta Jesus filho de Maria, pois eu sou tão somente um servo de Allah, então digam que sou Seu servo e mensageiro."

5-     Tais celebrações abrem as portas pra mais e mais inovações e em pouco tempo teremos tantas seitas como outras religiões e perderemos nossa identidade e união que Allah nos exortou a não perder quando diz: “E se apeguem à corda de Allah (o Islam) e não vos separeis (em grupos)”.

   Por fim irmãos, venerar o profeta, amar o profeta é obedecê-lo e segui-lo naquilo que foi revelado a ele como sunnah e como Alcorão, e não cabe a ninguém introduzir aquilo que o profeta mesmo não ensinou, ou não nos orientou a fazê-lo. Num dito de Ibn Abbas o profeta diz: “Não existe nada que aproximem vocês do paraíso e distanciem vocês do inferno sem que eu não vos tenha dito”. Se tais comemorações nos aumentassem em recompensas, ou nos garantisse a salvação, o profeta Muhammad (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) nos teria dito como e a melhor forma de fazê-lo. Como não o fez e nem o fez seus companheiros, em obediência a ele e seguindo a ele, deixamos isso de lado e nos atemos àquilo que foi revelado em amor a Allah e Seu mensageiro e servo.

   A lembrança do profeta, sua história e seu legado não deve ser lembrado em uma data específica, mas sim em todos os dias de nossas vidas em cada ato, em cada atitude.

   Essas opiniões foram tiradas de um texto do Sheikh Sálih Al Fawzan e é a opinião dos sheikhs que formam a Comissão dos Grande Sábios da Arábia Saudita.

   E só Allah detém o conhecimento absoluto e que a paz e as bênçãos de Allah estejam com nosso amado profeta Muhammad, suas família e seus companheiros.

Ali Achkar