A Mulher e suas Contribuições para o Islam e para a Ummah

         Al hamdulillahi Rabi al’alamin, wa salatu wa salamu ála Rasulullah

Muitas são as controvérsias a respeito da conduta feminina, principalmente no que se refere ao seu papel nas atividades sociais. Mas tais controvérsias são resultado não apenas da falta de informação e desvios interpretativos, mas como também da intenção de proteção da mulher ante a corrupção e licenciosidade da humanidade sem uma sociedade islâmica. Os textos islâmicos, porém, são claros a respeito do assunto, determinando os direitos e deveres da mulher, assim como as diretrizes  de seu comportamento a nível individual e social.

A mulher é a maior vítima dessa desinformação, uma vez que é lesada em seus direitos, porém, a sociedade também sofre, uma vez que ela deixa de realizar atividades úteis para Ummah.

 Nos deparamos com dois tipos básicos de situação na atualidade: por um lado, vemos mulheres que, por não terem uma educação islâmica adequada, e nem acesso à informação, não compreendem a sabedoria das prescrições islâmicas: inconformadas com restrições não são capazes de compreender, acabam cedendo ao ilusório ideal de falsa liberdade, e se afastando dos ideais islâmicos, negligenciando as ordens de Allah, sacrificando suas identidades islâmicas e aderindo ao modo de vida materialista-capitalista,  abandonando o código de conduta e a moral islâmica. Esta atitude causa um verdadeiro desastre social, não só porque a mulher é um dos pilares da família, mas como também porque ela é uma das maiores origens de fitna: quando ela se afasta dos ideais islâmicos, toda sociedade se desestrutura.

O Rasulullah disse :

“Não deixei atrás de mim nenhuma fitna maior para os homens do que as mulheres.”

Os cuidados com o comportamento feminino são muito importantes para saúde da família e da sociedade, por isso a shari’a al-islamiya tem uma preocupação especial em relação ao assunto.

Mas a ausência de uma sociedade saudável, uma sociedade islâmica, associada à falta de ensino adequado e, além do fato das mulheres serem mais vulneráveis à pressão da colonização cultural, levou os homens, com a intenção de protegeram as mulheres sob sua responsabilidade,  à uma radicalização das prescrições islâmicas, limitando as atividades sociais da mulher além dos limites de Allah. Ainda que o objetivo de tais medidas seja a proteção da mulher e da sociedade, as conseqüências são prejudiciais, não apenas porque a mulher lesada em seus direitos sente-se reprimida e tende a se revoltar, ficando ainda mais vulnerável às promessas mentirosas dos materialistas inimigos do Islam,  assim como impede que a mulher realize atividades que são vitais para esta Ummah, principalmente em momentos de crise, privando a sociedade de uma ajuda vital.

A instrução da mulher, que leva, através do conhecimento, ao amor pelo Islam e à consolidação de consciências, mentalidades e identidades islâmicas, é um assunto vital, que pode significar o sucesso ou o fracasso desta comunidade, uma vez que  a mulher que não compreende os ideais islâmicos  é mais vulnerável às armadilhas da colonização cultural  da aliança cruzado-sionista , e acaba por se tornar uma aliada do inimigo no programa de distorção do Islam.

Hoje em dia, que encontramos basicamente dois tipos de mulheres: as que imitam os kafireen, negligenciando as prescrições islâmicas, e as que abandonam seus direitos, conformadas com a obediência ignorante a limites que elas não compreendem. Ainda que estas não tragam malefício para a Ummah, o fato delas deixarem de nos beneficiar com sua ajuda já é em si um prejuízo, e ainda que elas estejam agradando a Allah obedecendo aos seus guardiões, que tem as melhores intenções ao querer protegê-las, devemos levar em conta que também é pecado declarar ilícito o que Allah (swt) permitiu, pois apenas a Allah cabe definir os limites, e não está ao alcance do homem mudá-los, ainda que com boas intenções: num sistema perfeito, onde todas as peças se encaixam, o desvio de uma única peça causa uma disfunção em toda engrenagem. Ao homem cabe mudar a sociedade, para que ela seja governada pela Lei da Allah (swt), gerando um ambiente no qual todos possam desfrutar de seus direitos e cumprir seus deveres, sem a necessidade de concessões nem extremismos.

O exemplo legado pelas esposas do Profeta e dos Sahaba (ra) deixam claro que, apesar das restrições, a mulher possui um importante papel social e pode  disponibilizar sua ajuda em diversas áreas de atuação, trabalhando em benefício do Islam e da Ummah. Privar a Ummah da colaboração da mulher é privá-la de uma ajuda vital, e pode significar a vitória ou a derrota.

Buscando Conhecimento

 O primeiro e mais importante papel da mulher na sociedade é o de esposa e mãe. A instrução e o conhecimento são indispensáveis para qualificação no bom cumprimento deste papel: nossas mães são nossas primeiras professoras de Islam e de vida, uma mulher que conhece sua religião e é consciente de seus deveres islâmicos cria seus filhos numa atmosfera de amor e obediência a Allah, fazendo-os crescer amando o Islam e respeitando os limites de Allah por amor e não por imposição. Uma mulher ignorante, que não conhece, por isso não ama sua religião, fica mais vulnerável à contaminação cultural e tende a transmitir sua falta de firmeza na religião para seus filhos, prejudicando não apenas sua família, mas toda a comunidade.

Por isso, a mulher, mesmo que apenas para cumprir seu papel primordial, de esposa e mãe, tem o dever de se instruir, para que seja capaz de compreender seu marido, incentivá-lo à prática das boas ações e criar seus filhos, num ambiente islâmico, ensinando e incentivando a aderência aos valores islâmicos e a prática do Islam.  O papel vital da mãe na formação de seus filhos lhe incumbe tal responsabilidade, para que possa dar uma educação islâmica sólida, que formará bons muçulmanos que darão sua contribuição para nossa comunidade.

A busca do conhecimento é uma obrigação para homens e mulheres, o Rasulullah disse:

“Buscar conhecimento é um dever de todo muçulmano.” (hadiss hasan narrado por in  Maajah)

As mulheres da geração de ouro eram muito entusiasmadas na busca do conhecimento, e o fato de serem mulheres não as impedia de ter aulas direto com o Profeta, como evidencia o hadiss no qual as mulheres dos ansar pedem ao Rasulullah:

“Aponte um dia especial para que venhamos aprender com você, porque os homens tomam todo o seu tempo e não deixam nada para nós.” Ele respondeu: “O tempo de vocês será na casa de fulana (uma das mulheres).” Então ele ia a elas no lugar marcado e lhes ensinava.” (Fath al Baari)

As mulheres das primeiras gerações nunca deixavam que sua vergonha lhes impedisse de perguntar a respeito dos ensinamentos (ahkaan) do Islam, ainda que para homens, porque estavam perguntando pela verdade, e :

“Allah não se envergonha (de dizer) a verdade” (TSQ, 33:53)

O fato de o Profeta responder diretamente às perguntas das mulheres dos ansar a respeito da religião deixa claro que é permitido para mulher buscar conhecimento junto ao homem. Aisha (ra) narrou que Asmma’ bint Yazeed ibn as-Sakan al-Ansaariyah perguntou ao Profeta sobre como deveria realizar o ghusl (banho completo) ao término de seu período menstrual, ele respondeu:

“Quando o período de uma mulher terminar, ela deve pegar água e se purificar apropriadamente, lavando-se, deve pegar um pedaço de tecido que tenha sido perfumado com almíscar e limpar-se com ele.” Asma’ perguntou: “Como devemos nos limpar com ele?” O Profeta disse: “Subhana Allah, vocês devem se limpar com ele.”, notando a vergonha de ambos, Aisha(ra) chamou-a de lado e lhe disse em privacidade: “Retire com ele os traços de sangue.” (Fath al Baari)

Num outro hadiss, no qual Asma’ pergunta sobre o banho em estado de janaba, depois do Profeta explicar qual o procedimento adequado, Aisha (ra) comentou:

“Como são boas as mulheres dos ansar! A vergonha não as impede de procurar compreender o Deen de maneira apropriada!” (Fath al Baari)

As mulheres da primeira geração nunca hesitavam em se empenhar na compreensão dos ensinamentos do Islam, e perguntavam tudo o que não entendiam, até que o assunto ficasse esclarecido.

Dentre as mulheres que se destacaram por sua inteligência e conhecimento, o nome de Aisha bint Abu Bakr(ra) é sempre o primeiro a ser mencionado. Além de ser a narradora de inúmeros ahadiss, ela foi a primeira faqeeha(mulher jurisprudente) do Islam, contando apenas com dezenove anos de idade. Era comum os Sahaba(ra) submeterem os assuntos a sua apreciação, e aderirem a sua opinião como palavra final. Seu conhecimento e compreensão não estavam limitados aos assuntos referentes à religião, ela se distinguia nos campos da poesia, história, medicina , literatura, gramática, astronomia,  entre outras áreas do conhecimento. Ibn Hishaan, conta de seu pai Urwah ibn az-Zubayr, que disse:

“Eu nunca conheci ninguém mais versado em fiqh ou medicina ou poesia do que Aisha’(ra).” (Taarikh at Tabari)

Aisha (ra) também era muito eloqüente em suas palestras, e não as resumia a platéias exclusivamente femininas, ensinado também homens, permitindo que eles se beneficiassem de seu vasto conhecimento, tendo levado al-Ahnaf ibn Qays a dizer: “Eu ouvi as palestras de Abu Bakr, Umar, Uthman e Ali (ra), e dos khulafaah que vieram depois deles, mas jamais ouvi uma palestra mais eloqüente que as de Aisha (ra)”.

Musa ibn Talha disse:

 “Eu nunca vi ninguém mais eloqüente e puro na fala do que Aisha (ra).” (Tirmidhi)

Assim, fica claro que a mulher não apenas pode aprender com os homens mas também pode ensinar a eles.

Mesmo após a geração do Profeta, outras mulheres foram exemplo de interesse pela religião, empenho na aquisição de conhecimento e seu ensino. Dentre elas, destacamos a filha de Sayd al-Musayyb, um erudito de sua época, que viveu no tempo de Khalifa Abdul-Malik ibn Marwan. Ele recusou a casar sua filha com o Khaleefa, e a deu em casamento para um de seus melhores alunos, Abdullah ibn Wadaa’ah. Ela era uma das pessoas de sua época mais versada em Qur’an, Sunnah, e direitos e deveres do casamento. Depois de casados, uma manhã. Abdullah levantou-se e preparou-se para sair. Sua esposa lhe perguntou: “Onde você vai?”, ele disse : “A aula de seu pai, Sayd al-Musayyb, para aprender.”, ela disse: “Sente-se, eu vou lhe ensinar o que o Sayd sabe.”. Por um mês, Abdullah não compareceu aos círculos de Sayd al-Musayyb, porque os conhecimentos que sua esposa aprendera com seu pai e lhe passava eram suficientes. Que os homens tomem o exemplo de Abdullah ibn Marwan, e dêem as suas esposas seu mérito, e aprendam com elas o que possam ensinar! É comum vermos os homens resistentes a aprenderem com suas esposas: o fato deles serem seus guardiões e responsáveis por elas, não implica em que elas não possam ter um conhecimento superior ao deles em certos assuntos, e seja quem for que tenha o conhecimento maior, o marido ou a esposa, sua obrigação é dividi-lo, ensinando ao outro. Muitas vezes, o orgulho impede que os maridos dêem o devido mérito a suas esposas, e desfrutem de tudo que elas podem lhes oferecer, inclusive o conhecimento.

Muitas mulheres se destacaram campo do conhecimento, não só como alunas mas também como professoras. Haafiz ibn Asaakir (morto em 571H, por volta de 1193 ad), um dos mais confiáveis narradores de ahadith, conhecido como “haafiz al-ummah”, conta oitenta mulheres entre seus professores e shaikhs. Como narradoras de ahadiss, contam-se centenas de mulheres, que se destacam por sua sinceridade e lealdade à verdade, isto foi comentado pelo Iman al-Haafiz adh-Dhahabi, em seu Mizaan al-I’tidaal, no qual ele declara que encontrou centenas de homens cujos relatos são duvidosos, e comentou:

 “Eu não soube de nenhuma mulher que foi acusada de faltar com a verdade numa narrativa, ou cujo hadiss foi rejeitado.”

Hoje em dia, poucas são as mulheres que se preocupam em buscar pelo conhecimento, e ainda mais raras são as que se empenham em aplicá-lo, agindo de acordo com ele, ou ensinando-o. As mulheres muçulmanas da atualidade devem seguir o exemplo de suas predecessoras, e se empenharem em adquirir conhecimento, qualificando-se como muçulmanas, cidadãs, esposas e mães, aprendendo e ensinando, atendendo a todas as demandas que esta Ummah requer delas, contribuindo com sua comunidade, uma contribuição fundamental, que vem faltando a Ummah há muito tempo.

Os homens, por sua vez, também devem seguir os exemplo de seus predecessores, e reconhecer o valor das mulheres de conhecimento, sejam suas filhas, esposas, irmãs ou mães, aprendendo com elas e lhes designando o status que lhes é devido. E também vencendo a barreira do preconceito, que não encontramos nas gerações passadas, e aprendendo com as mulheres de conhecimento, que por certos não são fonte de fitna, uma vez que, enquanto possuidoras de intelecto e conhecimento, sabem se comportar adequadamente, respeitando os limites de Allah(swt) sem, no entanto, privarem-se de aprender ou privarem a sociedade de se beneficiar de seu conhecimento. Um bom entendimento da religião leva homens e mulheres a buscar o conhecimento. Um profundo conhecimento da religião os leva a agir conforme o que sabem. Um deve aprender com o outro, dentro dos limites estabelecidos por Allah(swt), a Ummah conta com a colaboração de ambos: apenas quanto cada membro desta sociedade realizar da da melhor maneira possível seus deveres individuais, como faziam nossos predecessores, esta Ummah voltará a ser o que deve ser, a melhor nação que já surgiu na humanidade.

Ajudando na Causa de Allah

O empenho pelo estabelecimento da Lei de Allah na terra é um dever religioso, e um ato de adoração, tanto para homens, como para mulheres, porque garante a todos o direito de viver inteiramente segundo o que Allah prescreveu, e, uma vez que é algo que beneficiará a todos, cabe a todos ajudar em seu estabelecimento, de acordo com suas habilidades naturais e dentro dos seus limites.

As primeiras muçulmanas compreendiam seu dever de ajudar na luta pela causa de Allah, e jamais pouparam esforços nesse sentido, e seu entusiasmo para sacrificar seus bens e suas pessoas pela causa de Allah não era menor do que o dos homens, tendo algumas até os excedido em sua coragem e determinação.

Dentre os mais importantes exemplos de perseverança e amor pela fé , está Sumaya, a mãe de Amr ibn Yassir: sua história é uma das mais famosas do Islam, e é o exemplo do crente que dá pouco valor à vida terrena e se entrega ao sacrifício pela causa de Allah com a certeza que pertence exclusivamente àqueles cuja fé está bem consolidada em  seu coração e conhecem Allah: quem é mais digno de confiança do que Allah(swt)?

Nos primeiros tempos do Islam em Makka, Sumaya, seu marido Yassir e seu filho Amr, foram submetidos às mais terríveis torturas por parte dos Quraishitas. Eles eram expostos ao ar livre no deserto árabe no calor do meio-dia, e areia quente era jogada sobre eles, e eram apedrejados. Seu filho Amr, tentando evitar a morte, acabou cedendo, e dizendo as palavras que os mushrikeen desejavam, com o coração cheio de remorso. Concernente a tal episódio, como um consolo para Amr, Allah (swt) colocou uma ressalva no versículo referente à apostasia:

“Aqueles dentre vocês que descrerem após terem aceitado a fé, exceto aqueles que o fizeram sob compulsão, permanecendo seus corações firmes na fé...” (TSQ 16:106)

Mas Sumaya permaneceu firme, paciente, confiante na recompensa de Allah(swt), recusando-se a ceder às pressões dos mushrikeen, até que Abu Jahl a trespassou com sua lança, matando-a, dando-lhe a insuperável honra de se tornar,  a primeira mártir do Islam: ela e seu marido Yassir foram os primeiros muçulmanos que morreram pela causa de Allah.   Sumaya é um exemplo eterno de determinação e fé para homens e mulheres, escreveu com seu sangue seu lugar na história, e conquistou a posição de honra que todos nós almejamos. Allah(swt) honrou todas as mulheres através de Sumaya, quando a escolheu como mártir, e deu um recado a todas as mulheres desta Ummah:  firmeza e determinação são prescritas para todos, homens e mulheres igualmente, assim como a ambos são dadas oportunidades para que atinjam a glória suprema, as melhores recompensas estão reservadas para os mais meritórios, sejam homens ou mulheres.

Dentre as mulheres cujo papel foi essencial na história do Islam destaca-se Asma’ bint Abu Bakr(ra), que ficou responsável por levar água e comida para o Profeta e seu pai(ra) durante os dias em que eles ficaram escondidos no monte Thawr, durante a Hijra. O local era isolado e à grande distância de Makka, mas nem as dificuldades, nem os perigos da missão - uma vez que os quraishitas os perseguiam e havia espiões espalhados - a impediram de realizar seu papel competentemente. Ela sofreu intensa pressão dos mushrikeen, que a cercavam e interrogavam a respeito de seu pai, sempre se manteve firme, até quando levou um soco de Abu Jahl. Nada diminuiu sua determinação, e ela realizou sua missão de forma eficiente, abastecendo seu pai(ra) e o Profeta de suprimentos, sem deixar que ninguém descobrisse o esconderijo deles, até que deixassem a caverna e seguissem para Madeena. Allah honrou todas as mulheres ao escolher Asma’(ra) para realizar esta missão, para que ela sirva como exemplo, e todos saibamos a que ponto pode chegar a relevância do papel que a mulher pode realizar na causa de Allah(swt).

Duas mulheres estavam presentes no Tratado de 'Aqabah, que posteriormente tiveram oportunidade de provar sua coragem e fé participando de batalhas junto com o Profeta, Naseebah bint Ka’b al-Maaziniyah e Umm Manee, Asma’ bint Amr al-Sulamiyah, mãe de Muadh ibn Jabal(ra), tendo sido este um encontro político, o caminho para participação das mulheres na política estava aberto.

Umm Kalthoom bint Uqbah ibn Abi Um’ayt foi um exemplo de força e coragem quando migrou sozinha de Makka para Madeena, no tempo do Tratado de Hudaybiyah. Quando ela chegou a Madeena, disse ao Profeta: “Eu fugi para você com minha religião, então, proteja-me e não me mande de volta para eles, porque eles vão me punir e me torturar e eu não terei força e nem serei paciente o suficiente para resistir. Sou apenas uma mulher, e você conhece a fraqueza das mulheres, eu sei que você já mandou dois homens de volta.”  O Profeta disse:

“Allah cancelou este tratado em relação às mulheres.”(ibn al-jawzi)

Allah revelou no Qur’an referente às mulheres que fugiam de Makka para salvaguardar sua fé, abolindo o tratado em relação a elas, permitindo que elas não fossem mandadas de volta para os mushrikeen, desde que o Profeta as testasse e se assegurasse de que elas haviam migrado pela causa de Allah, e não com algum propósito terreno, abrindo um precedente para que as mulheres que se sentem oprimidas e impossibilitadas de praticar sua religião, migrem pela causa de Allah, ainda que fugidas.

“Oh crentes! Quando as mulheres crentes se apresentarem a vocês, refugiadas, examinam-nas e testem-nas: Allah conhece melhor a fé delas, se você estiver seguro de que elas são crentes, não as mande de volta para os descrentes. Elas não são esposas lícitas para os descrentes, e eles não são maridos lícitos para elas.” (TSQ, 60:10)

Muitas mulheres também participaram de batalhas junto com o Profeta, mostrando que o papel da mulher, ainda que seja menor que o do homem, pode ser relevante e glorioso, e que as oportunidades que o homem tem de lutar pela causa de Allah também estão ao alcance das mulheres.

Profeta sempre permitia  que suas esposas, e outras mulheres dos ansar, fossem ao campo de batalha para atender os feridos, preparar a comida, busca e distribuir água. Umm Atyah al-Ansariya narrou:

“Eu fui a sete campanhas militares como Profeta, eu ficava atrás do campo de batalha, preparando a comida e atendendo os doentes e os feridos.” (Muslim)

Bukhari e Muslim  transmitiram de Anas(ra);

“No dia de Uhud, algumas pessoas se dispersaram do Profeta, Abu Talha permaneceu com ele , defendendo-o como um escudo. Abu Talha era um ótimo arqueiro, e naquele dia ele quebrou três arcos. A todos que passavam com flechas, o Profeta dizia: ‘deêm-nas a Abul Talha!’. Quando ele levantava sua cabeça para ver o que estava acontecendo, Abu Talha(ra) dizia: ‘O Rasulullah, meu pai e minha mãe sejam sacrificados por você! Não levante a cabeça, ou uma flecha poderá atingi-lo. Que firam o meu peito, e não o seu!’ Eu vi Aisha bint Abu Bakr e Umm Sulaym, carregando água nas costas e dando de beber aos combatentes, cada vez que a água acabava, elas iam buscar mais e davam de beber aos combatentes. Naquele dia, a espada de Abu Talha(ra) caiu de sua mão duas ou três vezes por causa do cansaço.” (Fath al Baari)

Que grande serviço dar água aos combatentes no calor do Hidjaz numa batalha exaustiva! Que importante papel elas desempenhavam.

Fátima az-Zahra (ra) também estava presente em Uhud, ela cuidou dos ferimentos de seu pai: ela queimou um pedaço de esteira de palha e colocou as cinzas em sua ferida, estancando o sangramento.

Mas as mulheres também contribuíram no combate. Uma das mulheres que mais se destacaram como combatente é Naseebah bint Ka’b al-Maaziniyah, Umm Umara(ra). No começo da batalha de Uhud, ela, como as outras mulheres, atendia os feridos e trazia água, mas quando os arqueiros desobedeceram o comando do Profeta e a batalha reverteu em prejuízo dos muçulmanos, Naseebah empunhou sua espada e se juntou ao pequeno grupo que  permanecera com o Profeta, atuando como escudo humano para protegê-lo das flechas dos mushrikeen. Toda vez que o perigo se aproximava do Profeta, ela se apressava em protegê-lo. O Rasulullah percebeu e depois comentou: “ Toda vez que eu me virava para esquerda ou para direita, eu a via lutando por mim.” Neste dia, Nassebah(ra) sofreu vários ferimentos. O Profeta chamou seu filho e comentou:

“Sua mãe, sua mãe! Veja seus ferimentos! Que Allah abençoe você e sua família! Sua mãe lutou melhor do fulano e fulano!” Quando a mãe dele ouviu o que o Profeta dizia, ela disse: “Reze para Allah para que eu possa acompanhá-lo no Paraíso!” Ele disse: “Oh Allah faça deles meus companheiros no Paraíso” , e ela disse: “ Eu não me importo com o que acontecerá comigo neste mundo.” (sirat ibn Hisham)

A jihad de Umm Umara(ra) não se limitou a participação em Uhud, ela também esteve presente no Tratado de Aqaba, em al-Hudaybiyah, Khaibar e Hunayn, onde também teve uma conduta heróica. Durante o governo de Abu Bakr(ra), ela participou da batalha de Yamamah, onde lutou brilhantemente, recebeu onze ferimentos e perdeu uma das mãos. O Profeta lhe deu a boa nova de que ela entraria no Paraíso.

Outra mulher combatente foi Umm Sulaym bint Milhan, que assim como as outras mulheres, costumava ir ao campo de batalha para atender os feridos e dar água aos combatentes, mas ela se destaca pelo seu comportamento na Batalha de Hunayin. Mesmo estando nos últimos meses de gravidez, Umm Sulaym fez questão de acompanhar seu marido Abu Talha(ra) e o Profeta na conquista de Makka, e teve a honra de participar de um dos momentos mais emocionantes da história do Islam. Poucos dias depois, aconteceu a batalha de Hunaiyn, que foi uma severa provação para os muçulmanos. Muitos fugiram do campo de batalha, ficando ao lado do Profeta apenas um pequeno grupo de muhajreen e ansar, Umm Sulaym e Abu Talha(ra) faziam parte deste grupo.

“No dia de Hunayin, Umm Sulaym empunhou uma adaga. Abu Tallha a viu e disse: “ Oh Rasulullah, Umm Sulayim tem uma adaga!” Ele perguntou para ela: “O que é esta adaga?”,  ela disse: “Eu peguei isso para que se algum mushrikeen se aproximar de mim, eu possa rasgar seu estômago com isto.”. O Rasulullah começou a rir. Ela disse: “O Rasulullah, mate todos os ‘tulaqa’(aqueles que entraram no Islam no dia da conquista de Makka) que o abandonaram no campo de batalha.” Ele disse: “Allah é suficiente para nós e Ele tomou conta de nós.” ( Sahih Muslim)

Umm Sulayim ficou firme ao lado do Profeta nesta batalha em que mesmo os mais corajosos homens foram postos a prova. O Profeta lhe deu a boa nova de que ela iria para o Paraíso. Narrado por Jabir ibn Abdullah(ra) e outros, que o Profeta disse:

“Eu estava no Paraíso, e então vi al-Rumaysa (apelido de Umm Sulaym), esposa de Abu Talha!” (Bukhari e Muslim)

Ele costumava visitar Umm Sulaym e sua irmã Umm Haram, e logo que deu a boa nova para Umm Sulaym, contou a Umm Haram que ela singraria os mares junto com aqueles que sairiam para combater pela causa de Allah.

Bukhari transmitiu de Anas(ra):

“O Rasulullah(saws) visitou a filha de Milhan, e adormeceu um pouco. Então ele acordou e sorriu, e ela perguntou: “Porque você está sorrindo, oh Rasulullah?” Ele disse: “Algumas pessoas de minha Ummah cruzarão o verde oceano pela causa de Allah e eles se parecerão com reis em seus tronos.” Ela disse: “O Rasulullah, reze a Allah(swt) para que eu seja um deles!”, ele disse: “Oh Allah, faça delas uma entre eles!”. E então, ele adormeceu de novo. Acordou sorrindo, e ela perguntou de novo porque ele estava sorrindo, ele deu uma resposta similar e ela disse de novo: “ Reze para Allah para que eu seja um deles. “ Ele disse: “ Você estará entre os primeiros deles não entre os últimos deles!”

Anas continua: “Ela se casou com Ubaada ibn as-Samit, e saiu para al-jihad com ele, e vijou pelo oceano junto com a filha de Qaraza(esposa de Mwuayia). Quando ela voltou, seu cavalo a derrubou, ela caiu e morreu.“

O túmulo de Umm Haram, no Chipre, permanece como o memorial da muçulmana que combateu pela causa de Allah(swt).

Asma’ bint Yazid ibn as-Sakan al-Ansaariya também escreveu seu nome entre as mulheres combatentes. Ela participou da batalha de al-Khandaq com o Profeta, estava presente em al-Hudaybyia, e na batalha de Khaibar. Depois da morte do Profeta, ela continuou seu esforço na jihad pela causa de Allah, no ano 13 H foi para as-Sham com as tropas muçulmanas, participando da batalha de Yarmuk, uma das mais famosas batalhas nas quais as mulheres lutaram lado a lado com os homens. Foi uma dura batalha, e muitos homens tentavam fugir do campo. Mas as mulheres ficaram na retaguarda, e os forçavam a voltar para a batalha com paus e pedras quando tentavam fugir. Ibn Kathir narrou:

“As mulheres muçulmanas lutaram neste dia, e mataram um grande número de romanos. Elas acertavam todos os muçulmanos que tentavam fugir dizendo: ‘Onde vocês estão indo? Vão dos deixar a mercê dos infiéis?’, quando elas lhes falavam deste jeito, eles não tinham escolha senão voltar.”

Neste dia, Asma’ bint Yazid lutou extremamente bem, demonstrando uma coragem que falta a muitos homens. Ela avançou com as linhas de ataque e acertou um grande numero de mushrikeen. Ibn Hajar narrou:

“Umm Salamah al-Ansariya(Asma’bint Yazid) estava presente em Yarmuk. Naquele dia ela matou nove romanos.”

Muitas são as histórias das mulheres que colaboraram, se empenharam e combateram pela causa de Allah, escolhemos algumas apenas para ilustrar como é amplo o campo de atuação das mulheres muçulmanas, e como elas podem dar importantes contribuições para esta Ummah. Como esposa, mãe, aluna , professora ou até mesmo combatente, a contribuição da mulher é imprescindível para esta comunidade, e já é hora de homens e mulheres se conscientizarem disso.

As mulheres devem resguardar-se da fitna, mas devem tirar os véus de suas mentes, percebendo o quanto podem colaborar com esta nação, disponibilizando suas habilidades a serviço da causa de Allah(swt), compreendendo que atuar na causa de Allah (swt) não implica em ultrapassar Seus limites.

Para revitalizar esta comunidade, devemos seguir o exemplo de nossos predecessores, as melhores gerações de muçulmanos, homens e mulheres, e aprender com eles que recato não quer dizer inércia, que pureza não quer dizer inatividade, e que o sucesso da Ummah depende de todos nós, depende da realização de nossos deveres individuais, sendo o empenho pela causa de Allah um deles.

A informação e educação são os primeiros passos no caminho para uma melhor compreensão, por parte de homens e  mulheres, de seus direitos, deveres e limites, assim como para que a mulher possa cumprir seu importante papel na sociedade islâmica, colaborando tanto para restabelecimento do Estado Islâmico, como para seu fortalecimento, estabilidade e manutenção. Assim,  as mulheres devem procurar o conhecimento islâmico, e os homens devem incentivá-las e lhes  ensinar  os limites de Allah, e também prepará-las e incentivá-las para atuar em prol da Ummah. Devem vencer o preconceito, e aceitar ajuda das mulheres crentes, no campo do conhecimento ou da ação, porque esta Ummah precisa do trabalho de todos que estejam dispostos a oferecer seus préstimos, para retomar o caminho da liberdade e da prosperidade. Dotada da compreensão necessária, a mulher saberá conjugar o recato com a atividade, perceberá e respeitará a tênue fronteira entre a ação e a respeitabilidade, não deixando de cumprir seu papel, realizando as atividades importantes para esta Ummah, mas também respeitando rigorosamente os limites de Allah. Assim se consolida a verdadeira crente, que se empenha pela causa de Allah(swt), e contribui para que esta Ummah se liberte da opressão e volte a ter um papel de destaque no cenário internacional.

Ihya' Ulum ad-Din, Brasil

Shawwal,1427/ outubro, 2006

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