An-Namíma (A Intriga)

Louvado seja sempre Allah que revelou à humanidade o Alcorão Sagrado que como diz Ibn Abbas, (que Allah esteja satisfeito com ele) não deixou nenhum pormenor sem esclarecimento ou explicação, e louvado seja o Senhor do Universo que enviou Muhammad filho de Abdullah como o último dos profetas, como misericórdia para a humanidade e para nos apresentar sempre a melhor das condutas, a melhor educação e o melhor exemplo.

   Testemunho também que Muhammad nos exemplificou a mensagem da melhor forma possível, foi fiel à confiança nele depositada e praticou o jihad de todas as formas.

   Sabemos que a melhor das palavras estão no Livro de Allah e a melhor orientação, a orientação do profeta Muhammad (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) que num dito em seu último discurso disse: “...deixo para vocês, duas coisas, que se vocês se apegarem a elas, nunca se desviarão. São elas o Livro de Allah e a minha sunnah (tradições). Logo, entendemos que se deixarmos de seguir o Livro de Allah e as tradições do nosso amado profeta Muhammad estaremos em óbvio desvio.

   Dentre as diversas artimanhas que o satanás se utiliza para romper a união dos muçulmanos, talvez a mais eficiente e que mais traz prejuízo para nossa comunidade é a intriga (namímah) e o ato de lembrarmos das pessoas naquilo em que elas não gostam de serem lembradas, ou simplesmente falar mal das pessoas longe das mesmas; principalmente quando não existe nenhuma prova daquilo que é falado.

   Allah o Altíssimo diz: “Ó vocês que crêem, afastai-vos da maioria das conjecturas, pois uma parte delas é pecado e não vos espioneis! E não faleis mal uns dos outros pelas costas. Algum de vós gostaria de comer a carne do seu irmão morto? Pois, a odiariam! E temei a Allah, por certo que Allah é Remissório e Misericordiador.

   Allah o Sapientíssimo nesse versículo, compara o ato de falar mal das pessoas pelas costas com o comer da carne de seu próprio irmão, morto, o que com certeza é algo detestável, desprezível. Pois mais ainda é o ato de falar das pessoas pelas costas e isso chamamos de “ghaibah”. No fim do versículo, Allah diz: “... E temei a Allah...” numa clara evidência de quem o faz, o faz sem temer a Allah e Seu doloroso castigo.

   A “ghaibah” foi exemplificada pelo próprio profeta de Allah que pergunta a seus companheiros se eles sabiam o que era a “ghibah”. Os companheiros como sempre, não se adiantavam ao profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) com possíveis respostas e disseram: “Allah e Seu profeta sabem”. O profeta Muhammad então explica: “É o ato da pessoa lembrar seu irmão naquilo em que ele não gosta de ser lembrado”. Ou seja, nos defeitos, nas más ações que ele possa ter praticado. Um dos companheiros ainda pergunta: “Mas e se a pessoa realmente tiver tais adjetivos ruins”? O profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) então diz: “Se ele realmente assim o for, terá feito “ghibah”, e se não for, terá então levantado falso testemunho”. O que seria ainda pior.

   A “ghibah” estraga o coração, semeia o ódio entre as pessoas e as distancia umas das outras, destrói as relações humanas e como conseqüência a sociedade e a família. Faz com que a discórdia brote entre nós e mesmo que a pessoa porventura se arrependa da “ghibah” que fez, pouco se beneficia a sociedade do arrependimento, pois a desgraça já se espalhou e as pessoas já agiram de acordo com tal desgraça. Por isso Allah diz: “Ijtanibú” (deixem, distanciem-se) das conjecturas...”. Uma ordem clara.

O que entendemos então é que se lembrarmos das más ações ou das más características do nosso irmão, na presença dele ou na sua ausência, angariamos pra nós mesmos o pecado da ghibah, e se tais adjetivos lembrados não forem nem mesmo verdadeiros, teremos então praticado o falso testemunho, o que é ainda pior. Lembrando que o profeta (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) ainda lembra: “Um muçulmano tem seu sangue, sues bens e  sua honra, proibida para outro muçulmano!”

   Visto tudo isso, vemos que o sangue, a vida, seus bens e acima de tudo, sua honra deve ser preservada entre os irmãos. Tais valores são sagrados no Islam, e não podem de forma alguma serem violadas. Temos que trabalhar e nos esforçar para que a confiança nos irmãos aumente e o amor impere em nossos corações. Em várias passagens nas tradições islâmicas vemos o profeta Muhammad reforçando a irmandade entre os irmãos, proibindo até mesmo de um muçulmano ficar sem falar com seu irmão muçulmano por mais de três dias! Allah o Altíssimo diz: “Somente os crentes são irmãos! Façam, pois, as pazes entres seus irmãos”. Ordem de Allah!

   Em tempos de guerras e de divisões, temos que estar cada vez mais unidos no temor a Allah e na sunnah do profeta Muhammad (que a paz e as bênçãos de Allah estejam com ele) que disse: “Nada será benéfico para os últimos indivíduos de nossa comunidade exceto aquilo que beneficiou os primeiros”.  Ou seja, o Livro de Allah e as tradições do profeta Muhammad e tudo aquilo que ele trouxe de educação, bons modos e honra.

   Ele, é o nosso modelo e somente em Allah alcançamos o sucesso.

  E que a paz e as bênçãos de Allah estejam com nosso profeta Muhammad, sua família e seus companheiros e que somente Allah, o Único, seja sempre louvado.

Ali Achkar